Wednesday, February 27, 2013

Aventuras em Angola

 

No início dos anos 70 Angola ainda era uma possessão portuguesa. Naquela época, por bem por mal, havia automobilismo internacional de nível razoável tanto em Angola como Moçambique, possibilitado pela farta atividade automobilística da África do Sul. Depois vieram as respectivas independências e sangrentas revoluções, e automobilismo se tornou uma coisa muito secundária na mente - e bolsos - de todos.

Sempre existiu grande simpatia entre os angolanos e brasileiros, assim que, através da revista Auto Esporte, pilotos brasileiros foram convidados para participar das 6 Horas de Nova Lisboa de 1971. Os escolhidos foram os pilotos Jan Balder e Norman Casari, da Equipe Brahma, que levaram nada mais, nada menos do que a Lola T70 da equipe para disputar a prova africana.

As Lolas T70 não tiveram muita sorte no Brasil, desde que cá chegaram em 1969. A da Brahma era particularmente azarada. Mas na corrida angolana a Lola seria de longe a favorita, pois o único carro inscrito com cacife suficiente para pegar a Lola era uma Alfa P33. Infelizmente, apesar do esforço hercúleo, a Lola brasileira só conseguiu dar quatro voltas nos treinos, e pifou de vez. Cogitou-se de alugar um carro para os brazucas, mas regulamento é regulamento, e acabaram a pé. Se existe algum consolo nisso, a Alfa P33 também se deu mal e nem largou. Assim, largaram somente 11 carros na humilde corrida, que acabou ganha por um ex- e por um futuro piloto de F-1, respectivamente o português Mario Cabral e o alemão Hans Joachin Stuck, com BMW.

Os brasileiros foram convidados para a corrida mais uma vez, em 1972, só que desta vez foram mais práticos. Em vez de trazer algum carro do Brasil (certamente não a Lola, que a esta altura já virara cinzas), alugaram um Porsche 907 da Equipe Andre Wikcy que trouxe outros dois Porsches, inclusive um 908. A vedete da corrida, entretanto, era a Equipe Bonnier com suas Lolas de 2 litros. Casari e Balder não fizeram feio nos treinos, de fato, marcaram o quinto tempo. Casari pulou para a terceira posição na largada, mas foi caindo de produção. Quando estava em sétimo lugar, após quatro horas de corrida, um pneu furou, o carro bateu na guia e quebrou a suspensão. Quatro horas é bem melhor do que quatro voltas!!

A corrida foi ganha por Roger Heavens e Carlos Santos, com Chevron, seguidos de Elford-Larrouse com uma Lola. Esta foi, entretanto, a última excursão de pilotos brasileiros à África portuguesa, e última experiência internacional de Norman Casari.

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