Thursday, February 28, 2013

Sonhos Mineiros



Praticar o automobilismo em Minas Gerais nunca foi fácil. Houve corridas no estado, de uma forma ou outra. Uma famosa corrida foi realizada em Belo Horizonte, no Circuito da Pampulha, em 1949, reunindo alguns dos melhores pilotos do Brasil. Entre outros correu Chico Landi, o melhor brasileiro da época com sua Alfa de G.P.. Poços de Caldas realizou corridas nos anos 50 e 60. O circuito do estacionamento do Mineirão foi usado diversas vezes, até 1972, quando provas de rua deixaram de ser realizadas no País até começarem as corridas de Florianópolis dos anos 80.

Os mineiros tinham que se contentar com o kart e as corridas em terra, com o o autocross.
Apesar da falta de autódromo, surgiu uma geração de pilotos mineiros, no início dos anos 70, cujo maior expoente era Toninho da Matta. Outros pilotos dessa época eram Marcelo Campos, Boris Feldman, Kid Cabeleira (Luis Carlos Pinto Fonseca) e Ivaldo da Matta, que vez por outra corriam em outras praças como Interlagos, Brasília e até a longinqua Fortaleza. Mas o único nativo de Minas Gerais da época a obter sucesso a nível nacional, e depois internacional, era Alex Dias Ribeiro, radicado em Brasília, e mais conhecido como brasiliense.

Os mineiros acharam um nicho interessante na categoria Passat, e depois na HotCars e Marcas no final dos anos 70 e início dos anos 80. Dois dos mais bem sucedidos pilotos dessa época foram Toninho da Matta e José Junqueira e pilotos mineiros ganharam muitas provas nessas três categorias.

JUNQUEIRA PAI NA HOT-CARS

Nem um, nem outro tinha aspirações de carreiras internacionais, mas isso não os impediu de planejar um ataque às 24 Horas de Le Mans de 1980. Entusiasmados com a boa performance do trio brasileiro Paulo Gomes, Alfredo Guaraná e Marinho Amaral, que chegara em sétimo na prova em 1978 com um Porsche 935, José Junqueira e Toninho da Matta faziam parte de um trio (que também contava com Clemente de Faria) que pretendia fazer a mesma coisa - alugar um Porsche 935 - e havia muitos para alugar naquela época. Muito pouco se mencionou sobre o assunto, e a empreitada obviamente gorou, pois os três mineiros nem figuravam na lista de inscritos da grande prova francesa. Ficou no sonho.

Os anos se passaram, os pilotos foram ficando velhos, e seus filhos foram crescendo. Autódromo não havia em Minas, mas havia kartódromos, e dois dos melhores pilotos do Estado eram justamente filhos do Sr. Toninho e do Sr. José - Cristiano e Bruno.

Os tempos eram outros, e os brasileiros haviam finalmente aprendido como estruturar carreiras internacionais dos seus pilotos. Cristiano e Bruno foram para a Europa tentar a sorte, e logo começaram a ganhar provas nas categorias menores. Cristiano acabou indo para os EUA, enquanto Bruno insistiu na Europa. Em 2001, Cristiano já havia ganho o título da Indy Lights nos Estados Unidos, e Bruno a Formula 3000 na Europa. Bruno quase chega a correr na equipe Williams de F-1.

No ano de 2002 os filhos do Sr. Toninho e do Sr. José estavam inscritos na CART, na época a indisputável segunda mais importante categoria de monopostos do mundo. Cristiano pilotava um dos carros da Newman Haas, e Bruno um dos carros da Ganassi. No final do ano, os dois rebentos conseguiram superar os humildes sonhos dos seus pais, pilotos de Passat que só queriam participar de Le Mans sem almejar a vitória, só para estar lá. Os mineiros dominaram o campeonato entre si, com Cristiano campeão, e vencedor de sete coridas, e Bruno o vice, vencedor de duas. Dois mineiros no topo, quase no topo de tudo. 1-2 na CART.

DA MATTA FILHO - MINEIROS QUASE NO TOPO DO MUNDO EM 2002
Nada mal para filhos de uma terra que nem autódromo tinha. Nem tem até hoje.

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