Wednesday, February 27, 2013

Hernando em Pau

São realizadas corridas automobilísticas na cidade francesa de Pau desde 1899. O Grande Prêmio de Pau, na forma que ficou conhecido, passou a ser realizado em 1930. Foi durante muitos anos uma corrida de Formula 1, ou seja, para carros de Grande Prêmio, e se tornou uma das mais importantes corridas de rua da história do automobilismo. Foi com a Formula 2 que o GP de Pau assumiu grande importância, de fato, o GP de Pau era a corrida de maior prestígio da F-2 e posteriormente da F-3000.
O que tem isto a ver com automobilismo brasileiro. Pera aí.

Até 1957 o GP de Pau era realizado com carros de Formula 1, mas a partir de 1958 a direção decidiu mudar para uma prova de Fórmula 2. Em vez de se ser mais uma das diversas corridas de F-1 extra campeonato sem prestígio, como o GP de Siracusa, Pau se tornou a vedete da F-2. Durante 61 a 63, na fase 1,5 litro da F-1, Pau voltou a sediar corridas de F-1, firmando-se com a F-2 a partir de 1964.

Quatro pilotos brasileiros participaram da F-1 nos anos 50, e curiosamente, dois não foram nascidos no Brasil. Gino Bianco nasceu na Itália, mas era naturalizado brasileiro, e Hernando da Silva Ramos nasceu na França, e tinha nacionalidade dupla. De fato, muitos registros sobre a F-1 listam Da Silva Ramos meramente como francês, omitindo o seu lado brazuca.
Pois um dos protagonistas da primeira corrida de F-2 em Pau foi justamentoe o franco-brasileiro Da Silva Ramos.

Hernando correu com um Cooper Climax da equipe de Alan Brown, e seu principal concorrente na prova era Maurice Trintignant, piloto francês que já ganhara um GP, em 1955 e também as 24 Horas de Le Mans. A lista de inscritos tinha algumas outras curiosidades. Giulio Cabianca corria com um OSCA de F-2, e Ken Tyrrell, futuro chefe da equipe Tyrrell entre os anos 60 a 90 era companheiro de equipe do brasileiro. Outro inscrito curioso era Raymond Thackwell, neozelandês, pai do futuro e último campeão da Formula 2, Mike Thackwell. Diversos pilotos inscritos não compareceram na hora 'h', coisa habitual no automobilismo da época.

Da Silva Ramos já havia feito bonito na corrida para carros esporte acima de 2000cc, tendo disputado a liderança com o especialista belga, Olivier Gendebien, ambos com Ferrari. De fato, Da Silva Ramos disparou na frente no começo da corrida, mas abandonou saindo da pista e deixando o caminho livre para Olivier. Outra prova para carros esporte, de 1000 a 2000 cc, foi devidamente ganha pelo franco-brasileiro, que pilotou uma Lotus e fez a média horária de 86,146 km por hora.
  
A corrida de Nano nos carros esporte acima de 2 litros começou bem, terminou mal. Em compensação, ganhou a corrida para carros de 1000 a 2000 cc, com Lotus

O carro de da Silva Ramos é o n. 10, logo no início da prova de F-2, o GP de Pau de 1958

Na corrida de F-2, Trintignant, que corria na equipe de Rob Walker, que havia ganho o GP da Argentina com Stirling Moss, fez a pole position, marcando 1'48"9. Da Silva Ramos marcou o segundo tempo (1'49"7) seguido de Moore. Cabianca fez uma bela largada, e saiu na frente de Trintignant e de Da Silva Ramos. Eventualmente, tanto o francês como o brasileiro ultrapassaram o italiano, e comandaram a corrida com tranquilidade até o final.

Já no finalizinho, Trintignant ficou próximo de colocar uma volta em cima de Hernando, mas não o ultrapassou. Assim os dois Cooper terminaram na mesma volta.

A corrida ocorreu no dia 7 de abril de 1958 e foi a melhor prova internacional de Da Silva Ramos - sem dúvida seu melhor fim de semana. Foi competitivo nas três corridas em que participou. Para Trintignant, que já correra diversas vezes em Pau sem nunca ganhar, a corrida teve um gosto especial.

Algumas semanas depois, também correndo com um Cooper da equipe de Rob Walker, Trintignant ganharia o GP de Monaco, fazendo 2 x 0 para os carros com motor traseiro na F-1. Os tempos estavam mudando...

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