Artigos de Carlos de Paula sobre a participação de pilotos brasileiros no automobilismo no exterior. Não somente nossos campeões mais manjados, também os menos famosos. Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami
Wednesday, February 27, 2013
Expandindo os horizontes
o início da década de 80, o número de pilotos brasileiros em atividade no exterior ainda era pequeno. Além disso, os brasileiros basicamente seguiam a receita F-F ou F-3, F-2 e Formula 1. Nada mais interessava - quando não dava certo a F-1, voltavam ao Brasil ou desistiam de carreira no exterior. A exceção foi José Carlos Pace, que se interessou por uma carreira em carros esporte em 1972 e 73. E o mesmo Pace foi o primeiro a expandir seu foco além da Europa. Pace fez umas poucas corridas na Can-Am, em 1972, pilotando um Shadow, provando que existia um mundo automobilístico além do Velho Continente.
A Oceânia foi palco de grandes corridas internacionais nos anos 60. O campeonato mundial de F-1 tinha poucas corridas, e a atividade automobilística na Europa no começo do ano era inexistente por questões climáticas. Assim surgiu a Série Tasmânia, disputada na Austrália e Nova Zelândia, que de certa forma substituiu a Argentina como paraíso das corridas em janeiro e fevereiro. Esta série contava com pilottos de primeira como Jim Clark, Bruce McLaren, Jack Brabham, Jackie Stewart, Phil Hill, Richard Attwood, Denis Hulme, Chris Amon, Graham Hill e muitos outros.
O sonho durou até 1969, e de 1970 em diante o nível da Tasman Cup caiu muito. A Formula Tasman deu lugar à Formula 5000, que também foi adotada como principal categoria no contintente, mas os grandes astros desapareceram. Eventualmente, a própria Formula 5000 colapsou em nível global, bem verdade que por último na Austrália, assim que a Fórmula adotada no continente passou a ser a Fórmula Atlantic, lá chamada de Formula Pacific.
É óbvio que um dia a Austrália sonhava em ter seu próprio GP, afinal de contas, o campeão de 1980 era um australiano. Mas enquanto isso não acontecia, foi realizado um GP da Austrália, em 1981, com carros da Formula Pacific. Muitos pilotos bons foram convidados.
Da fato, o GP da Austrália de 1981, realizado em Calder contou com os dois últimos campeões de Formula 1, Alan Jones e o brasileiro Nelson Piquet. Além deles, também aceitou participar da prova o francês Jacques Laffite, além dos melhores pilotos da Austrália na época. Geoff Brabham, Larry Perkins, ex piloto da Brabham e BRM na F-1, Bruce Allison, Alfredo Costanzo (sim, ele é australiano), Andrew Miedecke, John Bowe, Lucio Cesario, além de neozelandeses como David Oxton. Dois estrangeiros menos cotados eram Ray Mallock, que nunca progrediu além da F-2, e outro brasileiro, Roberto Moreno, que veio incentivado pelo amigo Piquet.
E foi justamente Moreno quem fez a festa, não respeitando campeões nem ídolos locais. O brasileiro marcou a pole, embora Alan Jones tenha marcado tempo igual, e na corrida, conseguiu fazer as 100 voltas em 1h39m02s,no seu Ralt RT4-Ford colocando uma volta de diferença em cima de Piquet, seguido de Brabham, Perkins, Miedecke e Oxton. Jones abandonou.
Moreno também participou do Grande Prêmio de Macau daquele ano, corrida ganha por Bob Earl. Roberto bateu seu carro nos treinos, e acabou disputando a corrida com um velhíssimo March-722 da Theodore Racing. Não terminou a corrida.
Com o sucesso de Moreno na Austrália, no ano seguinte foi convidado de novo a participar de corridas na Oceânia, desta feita na Nova Zelândia. De novo equipado com um Ralt RT4, Moreno simplesmente dominou a série de quatro corridas, a série Aurora AFX, ganhando as provas de Baypark, Pukekohe e Wigram, só perdendo uma prova para Oxton. Entre os inscritos na série estavam Larry Perkins, o americano John David Briggs, além dos melhores pilotos locais, como Steve Millen, David Oxton, Ken Smith, Paul Radisich e Dave McMillan.
Piquet e Moreno também participaram do GP da Austrália de 1982, que desta feita teve domínio francês, com Alain Prost em primeiro, seguido de Laffite e Moreno. Piquet abandonou.
Mas a participação dos brasileiros nas corridas na Australásia provou que o mundo era muito mais que a Europa, e pouco a pouco pilotos brasileiros foram expandindo seus horizontes profissionais além da F-1, conquistando a América do Norte, México, Japão e Ásia nas décadas seguintes.
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