O piloto brasileiro que disser que seu sonho máximo é ganhar uma corrida de Formula Indy estará provavelmente mentindo. Mais honesto seria dizer que almeja ganhar um GP de Fórmula 1, e para os mais ambiciosos, o campeonato mundial, principalmente depois que três brasileiros provaram que as duas coisas são possíveis. Certamente o paranaense Mauricio Gugelmin espelhava suas aspirações em Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, e não em Ayrton Senna, pois ambos eram contemporâneos.
Mauricio basicamente fez tudo que devia ser feito nas categorias inferiores. Campeão na Fórmula Ford e Fórmula 3, chegou às F-3000 em 1986, e embora não tenha sido campeão, ganhou corridas e despertou interesse suficiente para ser contratado pela Equipe March de Fórmula 1 em 1988. Mauricio ficou lá até 1991, conseguindo o único podium da sua carreira na categoria (no Rio, em 1989) e também sua única volta mais rápida. A equipe muito prometia, ficando famosa mais tarde por ter revelado os dotes especiais de Adrian Newey como projetista, mas nem Gugelmin, tampouco Capelli conseguiram obter uma vitória com os carros azuis claros. Assim, em 1992 Gugelmin saiu da March, então chamada de Leyton House, e passou a defender as cores da Jordan. Esta tinha impressionado muito no seu ano de estréia, em 1991, mas, equipada com motor Yamaha, a equipe teve uma péssima temporada em 92. O mau desempenho pôs fim à carreira de Gugelmin na Fórmula maior, com 74 corridas e 10 pontos.
Com somente 29 anos, o piloto ainda estava muito jovem para pendurar as chuteiras, assim resolveu buscar oportunidades na Fórmula Indy, nos Estados Unidos. Em 93, Gugelmin fez uma corrida na Equipe de Dick Simon, onde passou também o ano de 1994, aprendendo os circuitos e se adaptando ao novo circo. Gugelmin logo passou a figurar entre os pilotos mais rápidos da categoria, finalmente entrando para a Equipe Pac-West em 1995.
O dono da equipe, Bruce McCaw, havia ganho muito dinheiro na área de telecomunicações, e apaixonado por automobilismo, resolveu montar uma equipe de Fórmula Indy. Gugelmin, por sua vez, conseguiu farto patrocínio da Hollywood no Brasil, e seu carro muito lembrava os carros da saudosa equipe dos anos 70.
Embora rápido, e com bons resultados, “Big Mo”, como era chamado pelos americanos por ser pesado e grande para um piloto de monopostos, não foi piloto de ponta da categoria até o ano de 1997. Nesse ano a Pac-West, com carros equipados com motor Mercedes Benz, foi uma das equipes mais rápidas do campeonato, com Gugelmin e Mark Blundell, outro refugiado da Fórmula 1. Mauricio liderou diversas corridas, mas, chegando no final do campeonato, na 15a. corrida, seu score estava nulo. Entretanto, seu companheiro de equipe Blundell já havia ganho duas provas, mal sinal.
O ano de 1997 foi um ano engraçado para os brasileiros na CART. Um verdadeiro batalhão brazuca tomou os grids da categoria, pois além de Gugelmin, disputavam a categoria Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Raul Boesel, André Ribeiro, e esporadicamente, Gualter Salles e Roberto Moreno. De fato, ao chegar na etapa de Vancouver, Gil de Ferran ocupava a segunda posição do campeonato, e tanto Gugelmin como Boesel figuravam entre os dez primeiros, mas com uma peculiaridade: nenhuma vitória brasileira no ano. Naquela altura, Alex Zanardi já acumulara cinco vitórias, Paul Tracy três, Blundell e Greg Moore duas, e Scott Pruett (companheiro de Raul Boesel) e Michael Andretti uma cada.
Nos treinos Gugelmin mais uma vez estava próximo do principal batalhão, marcando o quinto tempo, e foi o melhor do contingente brasileiro, com em muitas das corridas do ano. O segundo melhor brasileiro foi Gil (7°), seguido de Boesel, Ribeiro e Fittipaldi (12°, 13° e 14?), Moreno, que substituía Patrick Carpentier na Equipe Bettenhausen (20°) e Salles em último lugar, sem marcar tempo
A equipe Pac West considerava a prova de Vancouver uma das suas corridas de casa. De fato, o nome Pac West se refere a Pacífico e Oeste, indicando a procedência ocidental da equipe, sediada no estado de Washington. Vancouver é uma cidade canadense que já vinha realizando corridas na Cart há alguns anos, próxima de Washington.
Para Gugelmin, era uma corrida decisiva. Esta seria a sua 67a. prova na CART, portanto já se aproximava da sua marca na Fórmula 1, também sem vitória. Por outro lado, tinha que provar que era tão eficaz quanto seu companheiro de equipe Blundell, pois os contratos estavam para ser renovados e havia bastante concorrência para os assentos na Fórmula Indy. Afinal de contas, o líder da Fórmula 1 daquele ano, Jacques Villeneuve, era procedente desta série. Ademais, Big Mo tinha que aproveitar a boa fase da Pac West. Da mesma forma que a equipe nunca fora tão rápida antes, poderia voltar a ser uma equipe mediana em 1998. Basta lembrar que a Penske simplesmente dominou em 1994, e em 1995 nem Emerson Fittipaldi nem Al Unser Junior obtiveram classificação para largar nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano. Digamos que era mais ou menos um “ou vai ou racha” para o simpático e pesado brasileiro.
Na corrida Gugelmin esteve sempre entre os líderes, assumindo a ponta pela primeira vez na volta 36, quando Jimmy Vasser, que liderava, fez seu primeiro pitsop. Mas Gugelmin também teve que parar logo depois, e voltou a ficar em segundo lugar, atrás de Vasser. A corrida parecia favorecer o americano, campeão de 1996 que pouco fizera naquela temporada. De fato, Vasser permaneceu na liderança, seguido de Mauricio até fazer seu último pitstop, na volta 73. “Big Mo” voltou a liderar por uma volta, até parar na volta 76, e então Gil de Ferran assumiu a liderança por uma volta. Ao sair dos pits, Gugelmin conseguiu “ultrapassar” Vasser nos boxes, mas ainda assim ficou atrás de Bryan Herta, primeiro na pista. A razão da ultrapassagem foi um vacilo da equipe Ganassi: colocaram muito combustível no carro, mais do que o necessário, ao passo que a Pac-West calculou melhor o consumo e gastou menos tempo no abastecimento.
Todos concordavam que para Mauricio ganhar sua primeira prova só faltava um pouco de sorte, e foi exatamente o que teve nesta feita. Zanardi saira da pista, e o carro morreu na volta 83. Após ser empurrado, voltou em 10° lugar, com Gugelmin e Herta à sua frente. Tentando ganhar a volta perdida, Zanardi ultrapassou Mauricio e saiu no encalce de Herta. O choque foi inevitável. Novamente Herta e Zanardi colidiam, e Bryan abandonou a corrida, deixando a pista livre para Gugelmin, que conseguiu administrar a diferença para Jimmy Vasser até completarem-se as 100 voltas. Gugelmin finalmente ganhara uma prova de “primeiro escalão” após mais de 12 anos correndo no exterior, firmando-se no quarto lugar no campeonato. De Ferran chegou em terceiro, completando a festa brasileira, com mais três pilotos nos dez primeiros lugares (Boesel em, 6°, Christian em 9° e André Ribeiro em 10°).
Para completar a festa brasileira em Vancouver, naquele fim de semana, dois brasileiros chegaram em 1° e 2 ° na Indy Lights, com a vitória de Cristiano da Matta seguido de Tony Kanaan. A vitória da Da Matta foi mais fácil, pois liderou as 44 voltas. Essa categoria também contava com grande contingente de brasileiros, pois também participaram da prova Luiz Garcia Jr, Airton Dare, Helio Castroneves, Oswaldo Negri Jr. e Sergio Paese. Ao todo, 14 brasileiros na parada! Uau!!!
Infelizmente, o que parecia ser o início de uma longa série de conquistas, acabou sendo a primeira e última vitória de Gugelmin na categoria. A Mercedes logo de desinteressou da Fórmula Indy, concentrando seus esforços na Fórmula 1 e na McLaren, e a PacWest também foi perdendo a competitividade. Gugelmin correria na categoria até 2000, finalmente aposentando-se.
Resultado da Fórmula Indy em Vancouver, 31 de agosto de 1997
1. M. Gugelmin, Reynard-Mercedes, 100 voltas em 1h47m17,955s
2. J. Vasser, Reynard-Honda, 100 v
3. G. de Ferran, Reynard-Honda, 100 v
4. A. Zanardi, Renayrd-Honda, 100 v
5. A. Unser Jr., Penske-Mercedes, 100v
6. R . Boesel, Reynard-Ford, 100v
7. M. Blundell, Reynard-Mercedes, 100v
8. Bryan Herta, Reynard=Ford, 100v
NC C. Fittipaldi, Swift-Ford, 99 v
10. A. Ribeiro, Reynard-Honda, 99v
Mauricio basicamente fez tudo que devia ser feito nas categorias inferiores. Campeão na Fórmula Ford e Fórmula 3, chegou às F-3000 em 1986, e embora não tenha sido campeão, ganhou corridas e despertou interesse suficiente para ser contratado pela Equipe March de Fórmula 1 em 1988. Mauricio ficou lá até 1991, conseguindo o único podium da sua carreira na categoria (no Rio, em 1989) e também sua única volta mais rápida. A equipe muito prometia, ficando famosa mais tarde por ter revelado os dotes especiais de Adrian Newey como projetista, mas nem Gugelmin, tampouco Capelli conseguiram obter uma vitória com os carros azuis claros. Assim, em 1992 Gugelmin saiu da March, então chamada de Leyton House, e passou a defender as cores da Jordan. Esta tinha impressionado muito no seu ano de estréia, em 1991, mas, equipada com motor Yamaha, a equipe teve uma péssima temporada em 92. O mau desempenho pôs fim à carreira de Gugelmin na Fórmula maior, com 74 corridas e 10 pontos.
Com somente 29 anos, o piloto ainda estava muito jovem para pendurar as chuteiras, assim resolveu buscar oportunidades na Fórmula Indy, nos Estados Unidos. Em 93, Gugelmin fez uma corrida na Equipe de Dick Simon, onde passou também o ano de 1994, aprendendo os circuitos e se adaptando ao novo circo. Gugelmin logo passou a figurar entre os pilotos mais rápidos da categoria, finalmente entrando para a Equipe Pac-West em 1995.
O dono da equipe, Bruce McCaw, havia ganho muito dinheiro na área de telecomunicações, e apaixonado por automobilismo, resolveu montar uma equipe de Fórmula Indy. Gugelmin, por sua vez, conseguiu farto patrocínio da Hollywood no Brasil, e seu carro muito lembrava os carros da saudosa equipe dos anos 70.
Embora rápido, e com bons resultados, “Big Mo”, como era chamado pelos americanos por ser pesado e grande para um piloto de monopostos, não foi piloto de ponta da categoria até o ano de 1997. Nesse ano a Pac-West, com carros equipados com motor Mercedes Benz, foi uma das equipes mais rápidas do campeonato, com Gugelmin e Mark Blundell, outro refugiado da Fórmula 1. Mauricio liderou diversas corridas, mas, chegando no final do campeonato, na 15a. corrida, seu score estava nulo. Entretanto, seu companheiro de equipe Blundell já havia ganho duas provas, mal sinal.
O ano de 1997 foi um ano engraçado para os brasileiros na CART. Um verdadeiro batalhão brazuca tomou os grids da categoria, pois além de Gugelmin, disputavam a categoria Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Raul Boesel, André Ribeiro, e esporadicamente, Gualter Salles e Roberto Moreno. De fato, ao chegar na etapa de Vancouver, Gil de Ferran ocupava a segunda posição do campeonato, e tanto Gugelmin como Boesel figuravam entre os dez primeiros, mas com uma peculiaridade: nenhuma vitória brasileira no ano. Naquela altura, Alex Zanardi já acumulara cinco vitórias, Paul Tracy três, Blundell e Greg Moore duas, e Scott Pruett (companheiro de Raul Boesel) e Michael Andretti uma cada.
Nos treinos Gugelmin mais uma vez estava próximo do principal batalhão, marcando o quinto tempo, e foi o melhor do contingente brasileiro, com em muitas das corridas do ano. O segundo melhor brasileiro foi Gil (7°), seguido de Boesel, Ribeiro e Fittipaldi (12°, 13° e 14?), Moreno, que substituía Patrick Carpentier na Equipe Bettenhausen (20°) e Salles em último lugar, sem marcar tempo
A equipe Pac West considerava a prova de Vancouver uma das suas corridas de casa. De fato, o nome Pac West se refere a Pacífico e Oeste, indicando a procedência ocidental da equipe, sediada no estado de Washington. Vancouver é uma cidade canadense que já vinha realizando corridas na Cart há alguns anos, próxima de Washington.
Para Gugelmin, era uma corrida decisiva. Esta seria a sua 67a. prova na CART, portanto já se aproximava da sua marca na Fórmula 1, também sem vitória. Por outro lado, tinha que provar que era tão eficaz quanto seu companheiro de equipe Blundell, pois os contratos estavam para ser renovados e havia bastante concorrência para os assentos na Fórmula Indy. Afinal de contas, o líder da Fórmula 1 daquele ano, Jacques Villeneuve, era procedente desta série. Ademais, Big Mo tinha que aproveitar a boa fase da Pac West. Da mesma forma que a equipe nunca fora tão rápida antes, poderia voltar a ser uma equipe mediana em 1998. Basta lembrar que a Penske simplesmente dominou em 1994, e em 1995 nem Emerson Fittipaldi nem Al Unser Junior obtiveram classificação para largar nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano. Digamos que era mais ou menos um “ou vai ou racha” para o simpático e pesado brasileiro.
Na corrida Gugelmin esteve sempre entre os líderes, assumindo a ponta pela primeira vez na volta 36, quando Jimmy Vasser, que liderava, fez seu primeiro pitsop. Mas Gugelmin também teve que parar logo depois, e voltou a ficar em segundo lugar, atrás de Vasser. A corrida parecia favorecer o americano, campeão de 1996 que pouco fizera naquela temporada. De fato, Vasser permaneceu na liderança, seguido de Mauricio até fazer seu último pitstop, na volta 73. “Big Mo” voltou a liderar por uma volta, até parar na volta 76, e então Gil de Ferran assumiu a liderança por uma volta. Ao sair dos pits, Gugelmin conseguiu “ultrapassar” Vasser nos boxes, mas ainda assim ficou atrás de Bryan Herta, primeiro na pista. A razão da ultrapassagem foi um vacilo da equipe Ganassi: colocaram muito combustível no carro, mais do que o necessário, ao passo que a Pac-West calculou melhor o consumo e gastou menos tempo no abastecimento.
Todos concordavam que para Mauricio ganhar sua primeira prova só faltava um pouco de sorte, e foi exatamente o que teve nesta feita. Zanardi saira da pista, e o carro morreu na volta 83. Após ser empurrado, voltou em 10° lugar, com Gugelmin e Herta à sua frente. Tentando ganhar a volta perdida, Zanardi ultrapassou Mauricio e saiu no encalce de Herta. O choque foi inevitável. Novamente Herta e Zanardi colidiam, e Bryan abandonou a corrida, deixando a pista livre para Gugelmin, que conseguiu administrar a diferença para Jimmy Vasser até completarem-se as 100 voltas. Gugelmin finalmente ganhara uma prova de “primeiro escalão” após mais de 12 anos correndo no exterior, firmando-se no quarto lugar no campeonato. De Ferran chegou em terceiro, completando a festa brasileira, com mais três pilotos nos dez primeiros lugares (Boesel em, 6°, Christian em 9° e André Ribeiro em 10°).
Para completar a festa brasileira em Vancouver, naquele fim de semana, dois brasileiros chegaram em 1° e 2 ° na Indy Lights, com a vitória de Cristiano da Matta seguido de Tony Kanaan. A vitória da Da Matta foi mais fácil, pois liderou as 44 voltas. Essa categoria também contava com grande contingente de brasileiros, pois também participaram da prova Luiz Garcia Jr, Airton Dare, Helio Castroneves, Oswaldo Negri Jr. e Sergio Paese. Ao todo, 14 brasileiros na parada! Uau!!!
Infelizmente, o que parecia ser o início de uma longa série de conquistas, acabou sendo a primeira e última vitória de Gugelmin na categoria. A Mercedes logo de desinteressou da Fórmula Indy, concentrando seus esforços na Fórmula 1 e na McLaren, e a PacWest também foi perdendo a competitividade. Gugelmin correria na categoria até 2000, finalmente aposentando-se.
Resultado da Fórmula Indy em Vancouver, 31 de agosto de 1997
1. M. Gugelmin, Reynard-Mercedes, 100 voltas em 1h47m17,955s
2. J. Vasser, Reynard-Honda, 100 v
3. G. de Ferran, Reynard-Honda, 100 v
4. A. Zanardi, Renayrd-Honda, 100 v
5. A. Unser Jr., Penske-Mercedes, 100v
6. R . Boesel, Reynard-Ford, 100v
7. M. Blundell, Reynard-Mercedes, 100v
8. Bryan Herta, Reynard=Ford, 100v
NC C. Fittipaldi, Swift-Ford, 99 v
10. A. Ribeiro, Reynard-Honda, 99v
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