Wednesday, February 27, 2013

Brasileiros na Formula Junior no exterior, anos 60


Categorias de base, de monopostos, começaram a surgir no automobilismo mundial no final da década de 20. Na década de trinta ficou consolidada a Voiturette, carros de corrida com cilindrada inferior aos bólidos dos GP, que em termos modernos poderiam ser equiparados com a F-3000 atual. Após a Segunda Guerra Mundial, instituiu-se a Fórmula 2 como categoria imediatamente inferior à Fórmula 1. No final da década de 40 começou a surgir na Inglaterra, muito combalida pela Guerra, a F-3, pequeninos carros equipados com motor de motocicleta – ou seja a primeira real categoria de base acessível – e que formou uma geração de excelentes pilotos, como Stirling Moss, Mike Hawthorn, Tony Boorks, Stuart Lewis-Evans e Peter Collins. Por “n” razões, cujo escopo foge deste artigo, a F-3 nessa concepção original só vingou na Inglaterra, na Alemanha (mais na Alemanha Oriental, por incrível que pareça) e na Polônia. Não teve nenhum impacto nos dois centros do automobilismo do período imediato pós-guerra, a Itália e França.

Em 1952, por falta de um número razoável de carros de F-1, a FIA resolveu adotar a F-2, de 2 litros, como fórmula do Campeonato Mundial. Assim, a categoria de base foi elevada a categoria principal, até que entrasse em vigor a nova F-1, em 1954.

À medida que a economia européia se recuperava dos efeitos da Segunda Grande Guerra, aumentava o interesse pelo automobilismo, e por conseguinte, por categorias de base. A F-2 voltou a ser a categoria inferior à F-1, mas ainda faltava uma categoria internacional, barata, que pudesse permitir a formação de pilotos. Assim surgiu a F-Junior, na Itália, em 1958, com carros equipados com motor de 1 litro, de carros de linha – ou seja, maiores do que os 500cc da F-3 inglesa, mas menores, e de mais fácil (e barata) manutenção do que os motores puros de competição, de 1,5 litros, da F-2.

A Fórmula Junior foi um sucesso estrondoso, sendo adotada não só quase universalmente na Europa, mas também nos Estados Unidos e Austrália. E os brasileiros logo se interessaram pelos carrinhos.

Em 1959, dois dos melhores pilotos brasileiros da época, Christian Heins e Fritz D’Orey, embarcaram numa temporada de F-Jr na Europa, e no caso de D’Orey, Estados Unidos. No molde do que fariam, a partir de 1969, centenas de brazucas na F-F e F-3 (e outras tantas categorias como F-Renault, F-Opel, etc). O carro escolhido foi o Stanguellini, com motor Fiat.(Heins também correu com um Moretti) Embora Heins tenha obtido bons resultados (dois segundos lugares), foi D’Orey quem ganhou uma corrida: o Grande Premio de Messina de 1959, com dobradinha brasileira, pois Heins chegou em segundo.

E o carrinho vive até hoje! D’Orey fez diversas outras corridas com o bólido, que terminou nos Estados Unidos. Hoje restaurado, após 45 anos, o carro voltou a correr com o seu novo proprietário, Larry McKenna (email, para quem quiser se comunicar com ele:mailto:lmckenna@downeast.net). Obviamente, na versão original não tinha santantonio, nem tampouco os pneus largos de hoje, mas o carro se encontra bem próximo do que era durante a temporada de D’Orey. Eis o histórico do carro nas mãos de D’Orey, além da sua memorável vitória em Messina, em 23 de agosto de 1959:

·    30 de agosto de 1959  :  Adac Eifel Pokal, Nurburgring, Adenau, Alemanha .....................AB
·    6 de setembro de 1959 :  Grand Prix de Cadours, Circuit de Cadours, Toulouse, França......7°
·    4 Novembro de 1959 :  Coppa d'Oro di Sicilia, Siracusa, Itália..................................................AB
·    11 de dezembro de 1959:  US Grand Prix (Formula Jr race), Sebring, Florida............................2°


Após um breve namoro com a F-1 durante 1959, primeiro com uma velhusca Maserati 250-F da Equipe Centro-Sud, depois com o Tec-Mec, D’Orey correu nas 12 Horas de Sebring, em 1960 (6° lugar), e teve no mesmo ano um sério acidente em Le Mans, durante os treinos, ficando oito meses de cama. Chegou-se a cogitar que tinha morrido. Depois disso, abandonou o automobilismo, embora fosse jovem.

Infelizmente, outros pilotos não levaram adiante o pioneirismo de Heins e D’Orey na categoria. Em 1960, Christian Heins estava inscrito nas corridas de FJr em Cuba, mas segundo minhas pesquisas, nem viajou para lá. Foi esse o fim da incursão internacional dos brasileiros na FJr. Mas um outro brasileiro muito influente se interessou por ela: Chico Landi.

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