Wednesday, February 27, 2013

Lameirão em Portugal


Infelizmente nem todos os pilotos brasileiros que tentaram fazer carreira no exterior tiveram experiências positivas. Francisco Lameirão, um dos melhores pilotos brasileiros da segunda metade dos anos 60 e da primeira metade da década de 70, se enquadra nessa categoria.
Lameirão começou o ano de 1969 na Equipe Jolly, na qual correu em 1968. Após obter o quarto lugar nos 1000 km de Brasilia, desligou-se e fez algumas corridas no frustrante ano de 1969 com um AC-VW de Eugênio Martins, com o patrocínio do Arroz Brejeiro. O carro era bom, e Lameirão fez boas corridas no Rio e em Curitiba, mas 69 foi um ano de poucas corridas para os pilotos paulistas, que amargavam o autódromo de Interlagos fechado.
No torneio BUA de Fórmula Ford de 1970, Chiquinho teve a oportunidade de pilotar um Merlyn na última etapa do Torneio, e chegou em quinto lugar, impressionando muitos, até Chico Landi que mencionou seu nome entre um dos que tinha futuro internacional. Incentivado pelo resultado, Chico, que ainda era jovem, resolveu seguir os passos de outros ex-pilotos da Equipe Willys, Emerson e Luisinho, e se debandou para a Europa para tentar a sorte na Formula Ford inglesa.
Diversos pilotos brasileiros disputaram a categoria naquele ano. Além de Chico, Ronald Rossi, Jose Maria Giu Ferreira e Norman Casari foram para a Inglaterra, que somados ao contingente da F-3, Pace, Wilsinho e Fritz Jordan, formava um grupo razoável.
Chico teve um pequeno patrocínio do Fundo Baluarte, mas acabou morando em Londres, longe dos outros brasileiros. O isolamento, pouco patrocínio, falta de apoio da Royale, de quem comprou um chassis, problemas mecânicos e uma boa dose de azar foram a tônica da temporada européia do excelente piloto. Para piorar, sua perua Ford foi roubada com todas as ferramentas e relações de marchas, dando-lhe prejuízo de 4.000 dólares, na época, um valor substancial. Para ajudar a se manter correndo, Chico fez um acordo com o gaúcho Rafaelle Rosito, que passou a compartilhar a condução do Royale.
Filho de português, Chico resolveu se inscrever na corrida de Vila Real, em Portugal, em julho. Naquela altura, a corrida de Vila Real era a principal de Portugal, um imponente circuito de rua de quase 8 km . A programação para 1970 previa a prova principal, uma corrida de 3 horas para carros esporte, duas provas de carros de turismo, uma de Fórmula Vê e uma de Fórmula Ford. Chico se inscreveu somente na corrida de Formula Ford.
Foi nesse prova que Lameirão mais chegou perto da vitória durante a sua má-fadada excursão européia. Chico estava em terceiro lugar, próximo dos líderes, mas o tensor que vai do chassis à manga de eixo se quebrou em pleno retão, a 6000 RPM e quase 218 por hora. O carro rodopiou bastante, mas o piloto saiu ileso daquele que podia ter sido uma compensação por meses de insatisfação. O vencedor da corrida acabou sendo o português Ernesto Neves, com um Lotus, declarado vencedor após a desclassificação de Christian Melville. Neves, que correria no Brasil na Copa Brasil e nos 500 km de Interlagos de 1972, terminou na frente de Antonio Santos Mendonça e Luis Fernandes, ganhando também a prova de Formula Vê e de Grupo 2. Em suma, Lameirão perdeu o que seria pelo menos um segundo lugar quase certo.
Ao contrário do que dizem outros sites, esta foi a única corrida de Lameirão em Portugal. Logo depois voltou à Inglaterra, onde continuou a não encontrar sucesso. Lameirão voltou a correr no Brasil no Torneio Corcel, no final do ano, e teve uma excelente temporada em 1971 - o sucesso que se esquivou dele na Formula Ford européia, veio na brasileira, da qual se tornou o primeiro campeão e maior vencedor da temporada.
Agradecimentos a Rui Amaral Lemos Junior

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